Olá Pessoal!
Tudo bem?
Ontem, terminei de ler um livro e confesso que fiquei com um gostinho de quero mais...., o livro que vos falo dessa vez é Feliz Ano Velho, do Marcelo Rubens Paiva, figura carismática que ficou conhecido, desde novinho, tendo em vista que ele era filho de uma importante pessoa, Rubens Paiva, que foi um refém-político da Ditadura de 1964.
Marcelo um cara ousado, intenso, autêntico. irreverente e que vivia a vida de um forma bem emocionante como um jovem qualquer: surfava, tocava numa banda.. era um cara talentoso.. teve amores juvenis, viajava bastante... altas estórias de um adolescente que fazia Engenharia na Unicamp.
Um dia que parecia ser mais um, se transformou num memorável episódio.. Marcelo queria descobrir a fortuna que seu amigo esconderia no fundo do lago e pulou de cabeça que nem o Tio Patinhas... Bin......... era o som que ecoava no seu ouvido, fez algo literalmente, que ele sempre fez em sua vida, sem medo de ser feliz...
Infelizmente esse pulo, deixou pra trás o Feliz Ano Velho, pois Marcelo sofrera um acidente e teve uma séria fratura na Medula, o que ocasionou a tetraplegia de um jovem tão ativo.. sua vida se transformara completamente.
Marcelo enfrentou muitas dificuldades com essa nova situação que se instalava, mas ele teve o total apoio da familia e dos amigos.. que o acompanharam no hospital e depois na sua casa, logo após longos e intermináveis meses no hospital.
Ele tornou-se dependente dos outros a sua volta, pois ele apenas mexia do pescoço pra cima. conforme os dias se passaram. mas a realidade vos mostrava que a sua recuperação não seria tão simples assim e que nunca mais voltaria a andar.
Após muita fisioterapia, ele começou a ter grande avanços, como poder sentar, se alimentar, escrever até ao ponto de tomar banho e se locomover sozinho na cadeira de rodas... tudo isso apenas foi conquistado não apenas pelas duras sessões de fisioterapia, mas sim a partir do momento que ele se aceitou, ou seja, essa nova condição, não que tenha se conformado, é diferente. Ele descobriu que a vida deveria ser vivida intensamente a cada dia, como se não houvesse outro.. ele sentiu que não poderia fazer tantos planos a longo prazo e que cada dia era uma vitória.
É dificil pensar que hoje você está bem, saudável e amanhã talvez esteja no condição não tão favorável. É preciso se adaptar as novas condições e claro sempre tentar aperfeiçoar o que venha a melhorar a qualidade de vida de alguma maneira.
Nos meus posts, costumo dizer quee saúde, quando temos nada mais importa, certo?
Mas após ler esse livro, começei a questionar o que seria a saúde? Há tantas pessoas nessas condições ou piores e são felizes, como pode ser isso? Essas pessoas mostram que são vencedoras, porque com independência e autonomia, quando se tem, você consegue qualquer coisa, e o que consequentemente o tornará feliz. A saúde, seria não apenas a física, mas sim também a psicológica, e quando as pessoas se propõe em ter uma vida em harmonia e saudável. Elas se adaptam e fazem o melhor para que seja normal.
Marcelo, depois que se aceitou, as coisas conseguiram fluir melhor, se tornara independente, tomador de suas decisões, voltou a paquerar ( na verdade nunca deixara, pois tinha um sorriso irresistível!)
Marcelo consegue contar as suas experiências de uma forma muito bem humorada, algumas vezes sarcásticas e com toda certeza faz o leitor refletir, questionar, chorar e também a rir muito. Ele apresenta a sua vida em detalhes, fala do seu dia-a-dia, como ele via tudo isso, sua sexualidade, seus medos, seus receios, seus sentimentos de tristeza e de alegria. Era como se por algum momento você pudesse se transformar no Marcelo, é uma sensação inexplicável.. Voê é o Marcelo enquanto se está lendo... você diz não Marcelo, você não deve fazer isso, então algumas vezes você pensa, nossa! você tem razão.
Há muitas passagens no livro que eu particularmente gostei muito, uma delas ele diz que o próprio homem está preso numa cadeira de rodas por opção. O que ele quis dizer com isso afinal? As pessoas, só vivem de carro, ônibus, que seja qual tipo de meio de transporte, evitam andar pelas ruas; já no trabalho o tempo todo dependendo e sentado a frente do computador, em casa alienado a televisão... e não é que ele tá certo? Por que então ele deve ser considerado diferente?
As pessoas com necessidades especiais apenas tem a automia, a partir do momento que elas têm acessibilidade, ou seja, que ela possa se locomover sem depender de ninguém. E continuar vivendo a vida.. como diz a novela: " Viver a vida", onde a a triz principal passa pelo mesmo dilema.
Marcelo publicou essa autobiografia no Brasil e teve a oportunidade de apresentar também em outros idiomas e outros países, além de ter sido contemplado com uma peça teatral.
Ele conseguiu sensibilizar muitas pessoas, com esse jeito irreverente de ser.
Com certeza é um livro que indico, e já está na minha lista de favoritos.
Confesso, que o meu modo de pensar sobre alguns aspectos se modificaram em mim... ainda estou digerindo alguns assuntos... quem sabe não seria um tema para outro post ?
Enjoy it!!
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